domingo, 18 de novembro de 2007

Sinal fechado


"

Olá, como vai?
Eu vou indo, e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo, pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono tranqüilo, quem sabe...

Quanto tempo, pois é, quanto tempo.

Me perdoe a pressa. "

Paulinho da Viola

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

...



basta olhar pra fora e ver que ninguém mais dorme. é fácil ficar acordado. depende da noite, do pretume dela. ela não poderia ter sido feita pra dormir assim tão calma, afeita a pensamentos longos e demorados. que pedra é essa que convida a deitar enquanto não se sabe muito bem aonde isso pode levar? que cor indefinida. que luz.

luz pouca e rala.

domingo, 2 de setembro de 2007

de niterói para casa



voltando da parada gay de niterói, a vista pôde parar pra descansar.
no rosa.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

diololanda

hoje conheci a dona diolanda.

dona diolanda mora em campo grande.
dona diolanda tem uns 320 cachorros.
dona diolanda dorme num beliche.
dona diolanda não tem mesa, sofá, atenção.

dona diolanda vacina, beija, abilola.
dona diolanda tem longos cabelos grisalhos.
dona diolanda gasta 108 quilos de ração por dia.

dona diolanda tem olhos bons de olhar.
dona diolanda é mordida, lambida, adorada.
dona diolanda ama. ama. ama.

diolanda perdeu o marido há 15 anos.
diolanda encheu a casa.
diolanda se encheu.
diolanda encheu, cheu, cheu.
diolanda
diolanda
iolanda
olanda
landa
anda, mal anda
ela anda, mal anda
nda, nada
não é nada
nada
da
a

.

quisera eu


foto: pedro meyer

domingo, 19 de agosto de 2007

durmo de manhã

os senhores cinzas

momo, criança escondida em ruínas de castelo de cartas.
momo descobre o mistério do tempo roubado pelos senhores de terno cinza.

eles circulam pálidos, com maletas metálicas.
cinza médio, neutro, cinza sem preto nem branco.
agem com rapidez. são modelos de vida. imperceptíveis.

imperceptíveis. imperceptíveis. imperceptíveis.
não os vemos.
momo os viu.

e todo o tempo que momo tinha para montar castelos de cartas se foi pelo ar.
e não houve mais ruínas idas pelo ar.

ps: o livro infantil momo, do alemão michael ende, é uma fábula sobre uma criança que descobre os homens maus que nos roubaram o tempo e nos fazem cinzas. bom, muito bom.

e agora José?

o domingo acabou?
ou será que sou eu quem não percebeu a luz apagada?

merda. o tempo acabou.
e agora josé?

o josé acabou de ver seu programa e já vai se deitar.
e amanhã fará tudo igual como se o domingo fosse de papel.